sábado, 20 de outubro de 2012

O discipulado do Apóstolo Paulo - Lição 3 - 21 de outubro de 2012


Caros professores, a paz do Senhor Jesus!
Esta semana não tive como preparar a lição, desta forma estou colocando nos subsídios os excelentes comentários do Prof. Marcos André do site http://marcosandreclubdateologia.blogspot.com.br/
Bons estudos


O discipulado do Apóstolo Paulo - Lição 3 - 21 de outubro de 2012

TEXTO ÁUREO

“Vindo ter comigo, e apresentando-se, disse-me: Saulo, irmão, recobra a vista. E naquela mesma hora o vi”. At 22.13

VERDADE APLICADA

Todos os grandes homens de Deus, em algum momento da sua vida, precisaram do cuidado de outros irmãos na fé, até mesmo, com menos potencial do que eles.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

At 9.13 - E respondeu Ananias: Senhor, a muitos ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém;
At 9.14 - E aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome.
At 9.15 - Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel.
At 9.16 - E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome.
At 9.17 - E Ananias foi, e entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tomes a ver e sejas cheio do Espírito Santo.
At 9.18 - E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado.

Introdução
Paulo era um homem de grande valor para o judaísmo, uma pessoa preparada desde o seu nascimento, na convivência, na escola da sinagoga e, até, finalmente, tornar-se um pupilo do famoso Gamaliel. Tudo isso para lutar apologética e juridicamente pela causa do judaísmo do mundo pagão de sua época. Mas bastou uma aparição do Filho de Deus em sua glória para abater todo o seu orgulho genealógico, toda a soberba intelectual e ignorância espiritual.

  • Professor(a), com esta lição aproveite para ensinar o que é ser discipulado, pois muitos querem pular esta importante fase. Querem sair pregando sem conhecerem quase nada de teologia.
  • “Gamaliel”, era um sábio erudito da Lei, aparece uma vez no Novo Testamento acalmando o ânimo dos judeus para deixarem de perseguir os apóstolos At 5.34-40.
  • “orgulho genealógico”, genealogia é a linhagem familiar, esse orgulho genealógico era pelo fato de ele pertencer a tribo de Benjamim.


1. A necessidade de cuidado
Após o encontro de Paulo com Jesus, no caminho de Damasco, ele fora curado e imediatamente começou a pregar. Isso aconteceu, mas não tão imediatamente, pois levou alguns dias. Veremos que foi necessário pelo menos três dias aguardando outra resposta de Jesus.

  • “aguardando a resposta de Deus”, alguns estudos afirmam que mesmo depois de receber a sua cura Paulo não saiu pregando, mas ele teria se retirado para a Arábia a fim de meditar e retornou depois de três anos.
  • O fato é que ele não saiu sem uma direção como alguns fazem hoje em dia, não sabem nem qual é o seu chamado e saem pregando por ai sem nenhuma visão do seu chamado.


1.1. Paulo não podia ver (At 9.8a)
A Bíblia omite que tipo de transporte Saulo estava usando para chegar a Damasco, afirmar conclusivamente que Saulo caiu do cavalo é dizer uma coisa que a Bíblia não diz. Cavalos e mulas eram animais muito caros e a maioria das pessoas costumavam viajar muito a pé. Enquanto Paulo estava a caminho, acompanhado de alguns que formavam a sua comitiva, por volta de meio-dia, repentinamente brilhou uma forte luz do céu ao redor de Paulo, e tal luz falava com ele referindo-se ao seu nome hebraico, “Saulo, Saulo, porque me persegues?”. Depois de palestrar com a luz, levantou-se do chão, mas a ninguém via (At 22.6). Precisou terminar a viagem conforme as instruções do Senhor Jesus, mas agora amparado.

“A Bíblia omite”, algumas pessoas afirma algo que a Bíblia não, como o aquela velha afirmação de que “Paulo caiu do cavalo”, é necessário entender que a Bíblia só trata do que é necessário para a salvação. Muita gente fica ponderando  sobre detalhes.
“mas agora amparado”, há um primeiro momento na nossa caminhada que precisamos ser conduzidos, pois nossos olhos não estão completamente abertos, é o momento em estamos aprendendo as doutrinas, depois que passamos a conhecer, podemos então pregar.

1.2. Limitado para andar (At 9.8b)
Paulo, agora cego, foi conduzido pelas mãos de outros ao seu destino. Dessa maneira, o Senhor Jesus o estava humilhando, abatendo-o para que Paulo aprendesse mais sobre Ele. O andar de Paulo por melhor que fosse não estava agradando a Deus, e essa sua arrogância natural precisava ser abatida até o chão a fim de aprender um novo andar, que repetidamente Paulo ensina e relembra às igrejas que fundou. Deus resiste ao soberbo e pessoas normais evitam o soberbo. Mas, no caso de Paulo, era um agir divino na experiência dele para que ficasse marcado para sempre. Depois, quando necessário, ele testemunhava dessa sua queda visando a que alguém se convertesse.

  • “precisava ser abatida”, algumas pessoas para serem usadas pelo Senhor precisam primeiro serem libertadas da arrogância pessoal e esse foi o caso de Paulo. Outro casa conhecido foi o de Moisés que precisou passar quarenta anos no deserto, antes de ser enviado pelo Senhor par libertar o seu povo. 


1.3. Sem comer e beber (At 9.9)
Onde estava hospedado, Paulo permaneceu sem comer e beber, entendendo a grandeza de seu pecado. Dá para imaginar a agonia em sua alma e as lembranças de determinados momentos em que havia perseguido os discípulos do Senhor Jesus. Mesmo depois de muito tempo, ele demonstra esse sentimento nas suas cartas (Fp 3.6; lTm 1.13). Mas por outro lado o que lhe confortava, era o fato de Jesus lhe ter aparecido e falado, impedindo a sua completa perdição. O jejum é uma forma de demonstrar fraqueza, auto humilhação diante de Deus, visando buscar e praticar a vontade de Deus. É também uma maneira de romper com as ataduras firmes da ignorância espiritual, injustiças cometidas, e falta de fé. Não se jejua para conseguir o perdão de Deus, o preço já foi pago, antes, jejua-se para que a vontade divina seja exercida e fortalecida em nós.

  • O jejum também demonstra prioridade ao Senhor, por isso foi instituído para adoração ao Senhor. Quando alguém se dedica a fazer algo pra Deus e o faz em jejum, essa pessoa tem mais chance de ser aceita por Deus.
  • Não é correto um jejum para troca, pois o Senhor quer um coração contrito e não um coração ganancioso.
  • Não existe uma doutrina bem definida sobre jejum, o que muitas igrejas fazem é seguir as tradições.


2. A visão de cuidado
O Senhor Jesus havia começado uma obra de conversão ao aparecer repentinamente para Paulo. Mas continuou operando no sentido de aperfeiçoar a fé que começara a despontar. Deus não começa nada que não possa terminar e tudo faz com perfeição. Todavia essa segunda parte ficaria por conta de Ananias, um legítimo representante do Senhor Jesus pertencente à igreja de Damasco.

2.1. Levanta-te e vai à... (At 9.11)
Paulo estava hospedado em residência de um certo Judas, ali em Damasco, e repousava aguardando uma resposta do Senhor Jesus. E ela veio, pois Paulo tivera uma visão espiritual disso, ao ver entrar um homem chamado Ananias e impondo as mãos sobre ele para que fosse curado. Simultaneamente, Ananias recebeu em visão a orientação para ir num lugar exato, pois ele estava orando e aguardando resposta. Pensemos uma coisa, o Senhor Jesus não poderia curar Paulo diretamente? É claro que sim. Ou então, se Judas, o anfitrião de Paulo fosse um discípulo, e tudo indica que ele o era, não poderia curá-lo através dele? Perfeitamente. Mas por que Cristo não fez assim? Para que a experiência de Paulo tivesse testemunhas e ele mesmo sempre tivesse aceso em sua lembrança. Outra coisa é que Cristo deseja usar os vários membros do seu corpo para edificação espiritual mútua.

  • “Por que Cristo não fez assim?”, essa é a pergunta chave, recomendo que você deixe os alunos responde-la e veja se tem coerência com as respostas apresentadas nesse tópico.
  • Eis as respostas: 
  1. “para que as experiência...tivesse testemunha”, mostrando para todos que o Senhor é quem estava levantando aquele vaso, se Cristo mesmo curasse Paulo, poucos acreditariam nele e o inicio da obra estaria prejudicado.
  2. “ele mesmo...acesso em sua lembrança”, Deus nos permite passar por situações mais adversas para que tenhamos experiências de vida, pois poderemos e seremos usados para fortalecer pessoas que estarão passando pelas mesmas provações.
  3. “usar os vários membros”, o Senhor deseja que vivamos em união, por isso Ele se agrada em que trabalhemos unidos, ele sempre envia de dois em dois, às vezes, com tantos irmãos perto de nós, mas o Senhor trás um servo de longe para falar algo. Assim o Senhor faz a integração do seu povo.


2.2. Punha sobre ele a mão... (At 9.12)
É importante também notar que, nessa passagem, o Senhor Jesus demonstra que Paulo estava avisado, em visão, de que o próprio Ananias iria ao seu encontro para curá-lo. E essa cura sucederia mediante a imposição de mãos de Ananias. O ato de impor às mãos é abençoador, capaz de transferir virtudes que vão além do calor humano. Na verdade, o poder de Deus é completo em si mesmo e não se faz necessário impor as mãos. Todavia se torna muito importante e marcante para quem recebe tal imposição. O Senhor Jesus fez isso incontáveis vezes, e as Escrituras determinam que se imponham as mãos sobre os enfermos e eles serão curados (Mc 16.18; At 4.30).

  • O Senhor sabe que o ser humano é psicologicamente frágil, nem todos os irmãos aceitam quando dizemos: “Quando eu chegar em casa eu oro por você.” ou se dizemos: “Nós já oramos por você na igreja.”, muitos não aceitam isso, pois eles querem que vamos até suas casas, e lá estendamos as mãos sobre seus filhos seus móveis, suas camas, etc.


2.3. Senhor, de muitos ouvi... (At 9.13)
Quando Ananias entendeu que se tratava de Saulo, o perseguidor, arguiu o Senhor acerca de seu procedimento. Os males que tinha causado aos santos através da perseguição em Jerusalém, eram bem nítidos para ele. Reconhecemos que era uma missão difícil a ser realizada, mas o Senhor disse a Ananias que Paulo já o aguardava, pois já o tinha visto numa visão, entrando onde estava, e impondo-lhes as mãos, e curando-o de sua cegueira. Foi importante Ananias ter esse relevante detalhe para que executasse essa missão sem temor, visto que a fama de Paulo como perseguidor oficial do judaísmo corria entre as colônias judaicas para onde os cristãos fugiram. Quanto à visão simultânea de Ananias e Paulo, o sentido disso era para que não houvesse dúvida alguma de que o Senhor estava orquestrando a situação mostrando que era seguro para ambos.

  • Às vezes ocorre conosco como com Ananias, demonstramos uma falta de fé em relação a algum ímpio, mas o Senhor pode tudo.
  • Temos que acreditar que o Senhor pode fazer uma grande obra na vida do pior bandido.
  • Cristo estava também discipulando a Ananias para que ele aprendesse que Deus pode levantar pessoas de onde menos esperamos. Alguns agem como Ananias e colocam empecilho para tudo que lês são ordenado a fazerem, esses precisam aprender que se eles não quiserem trabalhar, o Senhor pode salvar um traficante e levantá-lo com o servo fiel e corajoso.


3. A missão cumprida
É interessantíssimo que o Senhor se permite arguir por Ananias e com ele palestra, ainda que brevemente. Depois de Ananias falar o que pensava demonstrando a necessidade de prudência, as providências para que tudo saísse perfeitamente em ordem e segurança estavam sendo tomadas naquele momento, em que Paulo como já foi dito, simultaneamente tinha uma visão acerca do próprio Ananias (At 9.15,16).

  • Deus permite que alguns irmãos ponderem com Ele, porém somente os servos, como foi com Moisés que intercedia pelo povo e com muitos outros servos.


3.1. Ananias foi ao encontro de Paulo (At 9.17)
Uma vez que tudo se tornara claro para Ananias, ele entendeu que se deveria apressar. Pois Paulo de Tarso não poderia ficar esperando indefinidamente em casa de Judas. Assim, pôs-se a caminho para achar o endereço que o Senhor lhe havia mostrado. A narrativa que se segue demonstra diligência, fé e muita alegria de Ananias ao encontrar a Paulo. Suas palavras são auspiciosas e demonstram conhecimento de tudo o que estava se passando, pois ele disse, “Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo”.

  • O Evangelho precisa de servos como Ananias, que tem uma palavra de esperança o abatido, encontramos irmãos que ao verem alguém na dificuldade ainda aponta dizendo que está em pecado ou que não tem fé.
  • No tempo em que vivemos em que não há aquela perseguição como no tempo de Ananias e Paulo, deveria existir mais irmãos do tipo de Ananias, Barnabé, Silas, Tito, Apolo, Áquila e outros, que mesmo não sendo muito famosos, mas são verdadeiros exemplos de simplicidade e disposição, e alegria de coração.


3.2. Paulo foi batizado (At 9.18)
O certo é que Paulo estava deitado ou sentado, de qualquer maneira sua posição indicava estar esperando, ou pelo menos se recuperando do tratamento de choque recebido da parte do Senhor. O texto não afirma claramente quem batizou Paulo, mas diz que ele “foi batizado”. É bem provável que tenha sido o próprio Ananias quem realizou o seu batismo ou outra pessoa próxima. No caso dos judeus, o batismo ocorria imediatamente, pois eles apenas aceitavam as promessas de Deus reveladas no Antigo Testamento, uma vez identificando que o homem Jesus era mesmo o Messias, tudo acontecia automaticamente.

  • “deitado ou sentado”, não convém debater se o batismo de Paulo foi por imersão o ou aspersão, é interessante não deixar a aula entrar nesse problema que nunca foi resolvido.


3.3.  Paulo com outros discípulos (At 9.19)
Após o batismo, Paulo se alimenta, pois ele estava afligindo seu corpo físico com o jejum até aquele momento. Mas também a sua alma sofria por lembrar-se de que, como oficial do Sinédrio, perseguira implacavelmente inofensivos cristãos tratando-os como bandidos. A comida lhe confortou, Deus lhe perdoou, mas, a partir dali, usou a sua vida para Deus. Ao que tudo indica, Ananias era um líder local, e ali em Damasco, Paulo pôde permanecer alguns dias, até que foi à Arábia, ficando por três anos conforme seu pequeno relato autobiográfico (G11.17).

  • Paulo não se achava digno de ser um servo do Senhor, pois ele havia perseguido o povo de Deus.
  • Paulo também não conseguiu ter um relacionamento muito próximo dos doze apóstolos, devido a sua obra e o seu temperamento.


Conclusão
Os cuidados básicos desfrutados por Paulo de ser assistido, batizado, usufruindo da convivência com outros discípulos mais experientes são os mesmos direitos de todo o cristão neófito que entra nas milícias do Senhor Jesus Cristo. Se isso for ignorado, estar-se-á gerando um cristianismo normal.

  • Para encerrar, comente que aqui tem um esboço do discipulado de um servo que foi um grande vaso nas mãos do Senhor.
  • Faça um resumo e apresente aos alunos.
  • O discipulado é uma obra tão importante quanto evangelismo, pois se o evangelismo a alma pra Cristo, é o discipulado que ajudará essa alma a permanecer firme.


Original de Marcos André - professor

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A extraordinária conversão de Paulo




LIÇÃO 02 – 14 de Outubro de 2012


A EXTRAORDINÁRIA CONVERSÃO DE PAULO


TEXTO ÁUREO

“Então disse eu: Senhor, que farei? E o Senhor disse-me: Levanta-te, e vai a Damasco, e ali se te dirá tudo o que te é ordenado fazer”. At 22.10

VERDADE APLICADA

Antes que muita coisa de valor possa ser feita no mundo, faz-se necessário um profundo arrependimento e uma mudança radical na vida.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

At 9.3 - E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu.
At 9.4 - E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?
At 9.5 - E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.
At 9.6 - E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer.
At 9.17 - E Ananias foi, e entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo.

Introdução
Será estudada, nesta lição, a conversão de Paulo, filho de um fariseu, que, depois de terminar seus estudos, aos pés do doutor da Lei, Gamaliel, pôs-se como arqui-inimigo do Senhor Jesus por causa da sua ignorância em relação à alvorada de uma nova dispensação que surgia no horizonte da história religiosa. Paulo se doía com a nova “Seita do Caminho” que angariava cada vez mais adeptos entre os judeus.



  • Observe que Paulo era um homem estudado e bem instruído, porém provavelmente ele foi “treinado” desde pequeno para cumprir fielmente a lei dos judeus, motivo pelo qual se opôs tão fortemente a seita do caminho (At. 19. 9 e 23);
  • Há quem diga que os estudos afastam as pessoas da fé, observaremos posteriormente que a grande sabedoria de Paulo permitiu que ele pregasse o evangelho para todas as classes sociais de sua época;
  • Paulo combatia a nova dispensação, a da graça que começou com a pregação de Jesus Cristo.

1. Antes da mudança
Quando o jovem Paulo perseguia os seguidores de Jesus, fazia-o nas melhores das intenções, e, naquele contexto social e religioso, era até uma coisa louvável. Nem todo proceder tem a aparência de boas intenções, isso todos sabem. Levados pelo pensamento de que estão fazendo algo para Deus, muitos perseguem, espancam, mutilam e matam aqueles que são fiéis a Cristo, mesmo nos dias atuais.



  • Paulo estava bem intencionado em defender o judaísmo, mas nem sempre a boa intenção nos leva a fazer a coisa certa (observe Gl 1.14);
  • É inaceitável prejudicar alguém em nome de Deus nos dias atuais.

1.1. Saulo, o assolador (At 8.1-3)
Paulo assumiu o papel de assolador, pois o texto nos diz: “E Saulo assolava a igreja”. Ele exalava um ar maligno que inspirava terror nos cristãos primitivos, ou seja, havia elementos que sustentavam aquele seu comportamento agressivo, tais como: a ignorância, a incredulidade e o falso pensamento de que, agindo assim, estivesse fazendo um trabalho para Deus (Jo 16.2), ele mesmo confessou posteriormente: “A mim, que dantes fui blasfemo, e perseguidor, e injurioso; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade” (lTm 1.13).



  • Saulo presenciou e consentiu na morte de Estevão e provavelmente achou que esta era a melhor maneira de agir com os seguidores de Cristo;
  • Pelo zelo excessivo e falta de interpretação dos profetas antigos sobre o Messias, Saulo considerava Jesus como um herege e todos os seus seguidores deveriam ser extintos.


1.2. Saulo diante de Estevão (At 8.1; 22.20)
Lucas, o escritor de Atos, destaca a pessoa de Estevão como um discípulo do grupo dos sete (diáconos) de Jerusalém, em virtude da sua devoção a Deus, cultura elevada, que fez extraordinários milagres, sofredor e de grande popularidade entre os gregos e judeus, pois era de uma oratória flamejante e de sabedoria irresistível. Sua popularidade foi além dos termos de Jerusalém e de Israel, pois uma liga das sinagogas espalhadas em vários lugares, uniram-se e enviaram seus representantes para altercarem com Estevão, os quais não puderam resistir a sua sabedoria (At 6.8-10). Eles apelaram para a baixeza de subornarem alguns, a fim de darem falso testemunho de blasfêmia contra Estevão no Supremo Tribunal Judaico, o Sinédrio. Estevão fez a sua defesa improvisada com um discurso que o sentenciou injustamente, sendo, em seguida, levado para ser executado por meio de apedrejamento. Na execução, precisava-se de um oficial que o acompanhasse aos pés de quem se depositavam as roupas dos executores. O nome desse oficial era Saulo, seu nome em hebraico.



  • Como foi dito pelo comentador, Estevão era eloquente, sábio em palavras e atitudes;
  • Estevão era um diácono fervoroso e que falava a verdade, por isto não agradava a todos;
  • Contra uma boa palavra, não há o que fazer, por isto usaram de meios baixos para acusa-lo de blasfêmia e condená-lo a morte.;
  • Observe que Saulo não teve seu nome mudado para Paulo, na verdade Saulo é uma versão hebraica. “Todavia, Saulo, também chamado Paulo…” (At 13.9).

1.3. Como Paulo assolava a Igreja? (At 8.3-4)
Naquela ocasião, em que era movida uma grande perseguição, o grupo preeminente, no templo de Jerusalém, e no Sinédrio, era o dos Saduceus, embora os fariseus fossem os mais populares e de maior influência entre os judeus. Esses dois grupos se rivalizavam, mas uniram-se para matarem Jesus e depois para perseguirem a Igreja. Paulo era o seu principal instrumento de assolação, pois tinha autoridade para entrar nas casas, prender os homens e mulheres, castigá-los com surra de varas, e obrigá-los a renunciarem o nome de Jesus, e dEle blasfemando. Quanto aos resistentes, Paulo dava o seu voto para a morte. Tildo isso Paulo fazia com um tempero sentimental de fúria e energia jovem que tinha na ocasião.



  • É importante ressaltar que não há relato bíblico de Saulo espancando ou torturando algum cristão, mas é possível afirmar que ele consentia em tudo isto;
  • O termo “depositaram as roupas” significa justamente a autorização, concordância, consentimento para que os seus comandados realizassem todas estas coisas.


2. O que produziu mudança?
O maior desejo do jovem Paulo era fazer algo de valor para Deus, para o judaísmo e para os judeus em si. Ele concluíra que estava absolutamente certo em repelir com veemência aquela doutrina sectária no seio do judaísmo, que mais trazia escândalo do que bem. Afinal, para ele Jesus de Nazaré teve o que mereceu quando, nas mãos dos romanos, caiu sob a acusação de ser um rei ilegítimo, por fazer-se Filho de Deus.


2.1. Paulo, confrontado pelo Senhor Jesus (At 9.3-7)
Quando ia a caminho para Damasco, acompanhado da sua comitiva de algozes para perseguirem os cristãos, Paulo, subitamente ao meio-dia, foi envolvido por uma luz mais brilhante que o sol (At 26.13). Nesse momento, caindo por terra, ouve uma voz que lhe disse: “Saulo, Saulo por que me persegues”. Até aquele momento, Jesus ressuscitado era um mito forjado, uma coisa digna de pleno descrédito. Mas, ao perguntar-lhe: “Quem és Senhor?” E ter a resposta: “Eu sou Jesus, a quem persegues. Duro é para ti dar coices contra os aguilhões”. Saulo trêmulo, assustado, e sem saber o que fazer diante daquela poderosa voz, pergunta: “O que devo fazer?”. E o Senhor lhe responde: “Levanta-te e entra na cidade e lá te será dito o que convém fazer” (At 9.4-6).


  • É extremamente importante reproduzir esta história para os alunos;
  • Veja que o comentador fala de Jesus como um mito forjado, este era o pensamento de Saulo e também o de muitos judeus até o dia de hoje;
  • Saulo cai no chão diante da luz e recebe um recado direto de Jesus "Duro é para você resistir as suas prisões"
  • O comentador usa o termo dar coices, pois aguilhões eram "algemas" usadas em bois para conter sua bravura, porém estes davam coices contra os aguilhões e se machucavam ainda mais.


2.2. Saulo obedece ao Senhor Jesus (At 9.8-9)
Conforme o seu temperamento e cultura, Paulo não se encurvava diante de ninguém, mas, quando se levantou do chão abatido e cego, nada mais restava de oposição nele senão obedecer. A transformação dele aconteceu tanto imediatamente, quando ouviu a voz do Senhor Jesus, quanto na medida em que ele Lhe obedecia. Paulo poderia ter voltado e escolhido outro caminho. Mas o campeão do judaísmo foi vencido pela “voz da Luz que lhe brilhou no caminho”. Para Damasco, Paulo teve de ser conduzido, pois não enxergava mais. Dá pra imaginar o tremor e temor que sobreveio em seus parceiros? Atender aquela voz e entrar na cidade representou a Saulo um sinal incontestável da sua completa conversão; significou um rompimento com todo seu modo de vida; produziu a conversão de um contingente incontável de pessoas em sua época e, ao longo dos séculos, onde seu testemunho foi ouvido.


  • O durão foi rendido, o altivo judeu agora sentia-se humilhado e impotente;
  • A decisão de ir a Damasco obedecendo a voz de Jesus indica sua conversão imediata;
  • Saulo poderia simplesmente não ir, se revoltar, não obedecer a ordenança divina, mas ele escolheu o caminho da obediência;
  • Aquele que mandava, agora era conduzido como cego;
  • O encontro com Cristo foi um verdadeiro milagre, digno de um grande testemunho que conduziu e ainda conduz milhares de pessoas à Cristo.


2.3. Resultado da obediência de Paulo
Depois que entrou na cidade, lá permaneceu em jejum absoluto por três dias, até o momento em que Ananias, que depois de alguma resistência à ordem de Jesus, foi visitá-lo e impôs-lhe as mãos, e curou-o na hora. Um sinal incontestável da misericórdia divina a favor de Paulo. Para ele, naquele momento, nada mais restava senão se batizar como um sinal de morte para o pecado e identificação plena com Jesus Cristo, como ele mesmo veio a ensinar depois em suas cartas (Rm 6.1-6; G1 2.20). O arrependimento é um ato de obediência que deve refletir no abandono do pecado para viver uma nova vida, seguido, logo que possível, do batismo em água. Foi a partir daí que Paulo passou a pregar o evangelho publicamente conforme indica o livro de Atos (At 9.19-20). Hoje, não significa que para falar de Jesus é necessário se batizar primeiro, mas é o mais recomendável.


  • Não podemos criticar a resistência de Ananias, a final de contas ele deveria orar pelo perseguidor dos cristãos, pelo homem que consentiu na morte de Estevão;
  • Poderia ser aquilo uma armadilha, um fingimento, uma emboscada? Tudo isto deve ter passado na cabeça de Ananias;
  • Vemos em Ananias o exemplo de obediência. Obediência a Cristo é dizer sim mesmo quando o nosso ser deseja dizer não;
  • Saulo definitivamente se arrependeu, pois mudo de atitude ao ponto de querer ser batizado. Todo arrependimento verdadeiro é seguido de mudança de atitude;
  • Observe que Saulo, após ser batizado, foi para a Arábia se preparar por 3 anos, e só depois disto começou a pregar o evangelho Gl. 1. 117 e 18.

3. Consequências dessa mudança
Evidentemente, que a conversão de Paulo teve muitos efeitos no reino de Deus e no mundo, que talvez seja difícil enumerá-los e esquadrinhá-los na sua exata proporção. Mas abordaremos apenas alguns principais que são arrolados por Lucas no livro de Atos.

3.1. Paulo passou a pregar o evangelho
A graça de Deus salvadora alcançou um inimigo implacável, eliminando assim um agente que causava grande dano e tirava a paz dos judeus convertidos. Embora fosse Paulo um assolador da Igreja, Deus é aquele que contempla aquilo que está além do patente e do discernimento humano. Alguns anos depois, Paulo teve chance de conhecer os discípulos de Jerusalém. Todavia ele ainda estava sob a mira e a desconfiança deles. Pois não havia passado, ainda, tanto tempo assim daquela cruel perseguição. Sendo Paulo um homem muito ativo, logo passou a pregar ousadamente no nome de Jesus, tanto em Damasco quanto em Jerusalém, e sua presença gerava insegurança e clima ruim entre os discípulos, pois alguns judeus helenizados, dados à discussão, resolveram matá-lo, quer dizer, o ex-perseguidor passou a ser perseguido.


  • Paulo passou da morte para a vida, do caminho das trevas para a salvação e não ficou inerte;
  • Observe que, ao ser chamado, Paulo trabalhou incessantemente para proclamar o evangelho, Deus sabia da capacidade deste homem em fazer a sua obra;
  • Vemos em Paulo um exemplo de abnegação e obediência, infelizmente existem muitos crentes de "banco", que não fazem a obra nem quando chão convidados.
  • Paulo era eloquente, falava bem inclusive o idioma grego e suas pregações convenciam e deixavam seus opositores sem argumentos. Por este motivo, judeus helenistas (influenciados pela cultura e filosofia grega), na incapacidade de argumentar com Paulo, procuravam matá-lo.

3.2. Paulo sofreu perseguição
A perseguição pelo fato de pregar o evangelho e fortalecer os novos convertidos a Cristo Jesus se tomou algo constante em sua vida, e Paulo conviveu, desde o início de sua pregação, até a sua morte. Imediatamente a sua mudança radical, quando começou a pregar, foi perseguido em Damasco, depois em Jerusalém e no restante de seu trabalho missionário. Como ele desejava ardentemente o crescimento do evangelho ao longo do Império Romano, orou a Deus para que Ele lhe tirasse a vara da perseguição de suas costas. Visto que concluísse que o evangelho se desenvolveria muito mais rápido num ambiente tranquilo, pois as pessoas estavam famintas de Deus. Mas o senhor Jesus apenas lhe disse que a sua graça lhe bastava (2Co 12.9).


  • Não sabemos qual era de fato o espinho na carne (mensageiro de satanás) que Paulo pediu que fosse retirado; O comentador afirma que era o peso da pregação do evangelho, mas não é possível afirmar isto tendo como base a bíblia sagrada;



3.3.  O crescimento da Igreja
Tendo Jesus Cristo transformado um inimigo tão voraz em servo, agora a comunidade cristã espalhada pela Judéia, Galiléia e Samaria desfrutava de paz e vivia harmonicamente entre si. Consequentemente cresciam, e várias pessoas se convertiam dia a dia (At 9.31). As vezes, imaginamos que a igreja só cresce mediante a perseguição, mas ela cresce também e melhor quando está em condições favoráveis de paz.


  • Era época de perseguição, cristãos estavam sendo mortos, restritos de liberdade e tudo isto para sufocar o crescimento da igreja e no que isto resultou? Em aumento do número de convertidos;
  • Não há situação adversa que impeça o crescimento da igreja.

Conclusão
A conversão de Paulo de Tarso é um legado insofismável da história Universal, pois a mensagem dele sobreviveu a sua morte, a pessoa dele jamais foi esquecida com o passar dos séculos. Na sua conversão podemos saber como o Senhor Jesus transforma um inimigo em servo e em vaso útil, tornando-o portador de Sua mensagem.



Fontes:
Biblia Almeida Revista e Corrigida;
www.clubedateologia.com.br

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