domingo, 4 de novembro de 2012

A QUALIDADE DE PAULO COMO MISSIONÁRIO



LIÇÃO 06 – 11 de Novembro de 2012

A QUALIDADE DE PAULO COMO MISSIONÁRIO

TEXTO ÁUREO

“E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado”. At 13.2

VERDADE APLICADO

“Quando um homem aceita a Cristo e Ele se torna de fato o seu Senhor, todos os dons, bens, talentos, e vida são transferidos para o reino de Deus”

TEXTOS DE REFERÊNCIA

2Tm 2.2 - E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.
2Tm 2.3 - Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo.
2Tm 2.4 - Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra.
2Tm 2.5 - E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente.

INTRODUÇÃO

Em lição anterior, foi visto que a carreira espiritual de um homem que chega atingir elevados patamares é construída com apoio de vários outros que depositaram nele a sua confiança. Serão estudadas aqui algumas das muitas qualidades que foram cumuladas com a ajuda desses obreiros, resultado de esforço próprio e de uma crescente comunhão com Cristo Jesus.

  • Ninguém obtêm sucesso espiritual sozinho, é importante entender que precisamos de parceiros espirituais que trabalham do nosso lado nos ajudando em oração, conselhos, fortaleza espiritual e encorajamento.
  • O próprio Jesus quando enviou seus profetas, enviou de dois em dois.



1. Um vaso bem acabado
Paulo bem sabia da sua chamada para trabalhar entre os gentios, na verdade, ele herdou o zelo missionário dos fariseus e demais judeus que se esforçavam para trazer para o judaísmo os pagãos.

  • Era permitido ao pagão, se tornar um "hóspede" como dizia a Torá e seguir os costumes do povo judeu.

1.1. Um obreiro preparado (At 13.1,2)
Quando o Espírito Santo falou ao coração da Igreja e a liderança onde Barnabé e Paulo estavam, ordenou que eles fossem separados para a obra previamente determinada pelo conselho divino (At 13.2). Paulo já era um homem preparado por Deus para aquele momento, assim como Barnabé. Todavia, eles continuaram aprendendo no trabalho missionário, mesmo que já tivessem um conhecimento teórico com base na experiência dos fariseus proselitistas, algumas experiências anteriores, etc. Observe que ele já falava grego e latim, além do aramaico que era a língua falada em Israel; a sua cidadania romana lhe conferia ampla mobilidade em todo o império romano com todos os direitos assegurados a um cidadão comum de Roma, sem contar que aprendera fazer tendas quando mais novo. Tudo isso foi muito útil.



  • Observe a escolha de Deus, Ele escolheu Paulo, homem preparado, que falava grego, latim e aramaico e tinha dupla cidadania. Era alguém perfeito para a obra missionária;
  • Paulo e Barnabé já tinham conhecimento teórico e em alguns casos prático, como no caso da conversão ao judaísmo (prosélitos), mais ainda assim queriam aprender mais;
  • Note que tudo o que Paulo sabia, foi útil para a obra, o conhecimento das línguas, seu conhecimento da Torá e seu ofício de fazer tendas.

1.2. Um obreiro experiente
Ninguém nasce experiente em alguma coisa, todos aprendem com os outros, pela observação e pelos próprios erros. Paulo foi adquirindo experiência pouco a pouco na sua carreira cristã, mas de forma muito substancial pelos lugares por que passou como: nas regiões da Arábia, em Damasco, em Jerusalém, na Cilicia e agora em Antioquia da Síria ao lado de Barnabé. Deus foi lhe preparando ao longo de sua vida e não de uma vez, mas depois chegara a hora de ser lançado como uma flecha polida no coração dos gentios pela Palavra de Deus. Todavia, deve-se lembrar de que sempre haverá novas situações na obra de Deus, em que as nossas experiências são insuficientes. Quando isso acontece, é porque Deus quer que seja usada fé e não nossos conhecimentos anteriores. Paulo possuía uma vantagem que jamais deve ser ignorada, a presença e a revelação divina.


  • Toda a experiência é válida para o crescimento espiritual, porém sem experiência gradual, não se forma um obreiro;
  • Paulo aprendeu de várias formas, com suas experiências passadas, com seu conhecimento da palavra, com o sofrimento, com a paciência, como assistente de Barnabé...
  • Paulo agora estava pronto, como um vaso que foi cheio gradativamente, estava pronto para ser derramado na presença do Senhor;
  • Existem situações porém que, nem a experiência resolvem, ´s preciso ter fé.

1.3. Um servo submisso
Nem Barnabé, nem Paulo fizeram qualquer questionamento sobre ir mundo afora ao longo do Império Romano. Em verdade, Deus já vinha trabalhando desde antes, falando, confirmando e provendo experiências para o momento devido que havia chegado ali em Antioquia. Paulo aprendeu ouvir a voz do Senhor desde o caminho de Damasco em diante. Com esse ouvir, ele atendia prontamente como um servo. Tanto para trabalhar, quanto para não trabalhar (At 16.6,7); tanto para fugir de uma cidade que ficara para dar testemunho, quanto para suportar as pressões de uma perseguição por amor aos escolhidos (At 18.9,10; 22.17,18). Aqui reside um grande segredo, quando se aprende a atender a voz do Senhor prontamente, ele vai falando mais e mais conosco.


  • Eis-me aqui Senhor! Quantos de nós estamos prontos para dar esta resposta ao chamado de Deus?
  • Paulo e Barnabé se puseram prontos para a obra e não questionaram a Deus em momento algum;
  • Paulo entendia a voz de Deus e sabia o tempo para tudo, de avançar e de recuar, de agir e de quietar, quando ouvimos sua voz somos livres do erro;
  • Importante citar as referências que o comentador registrou no tópico.

2. Um soldado valoroso
Quando Barnabé e Paulo saíram de Antioquia sob as ordens do Senhor levaram como cooperador a João Marcos, com a finalidade de ele instruir sobre os rudimentos da fé aos novos convertidos e batizá-los, enquanto os missionários se dedicariam mais a pregar aos ainda não convertidos.

2.1. Um servo Sofredor
Depois de Chipre, terra natal de Barnabé, Paulo assumiu a liderança da missão. Evidentemente, que Paulo foi sempre o que assumiu mais riscos em prol do Evangelho, por causa do seu jeito mais ousado de falar. Em Antioquia da Psídia, por causa da multidão que creu, Paulo foi banido da cidade (At 13.50); em Icônio, eles fugiram a tempo para não serem apedrejados (At 14.6); em Listra, Paulo curou a um coxo de nascença, sendo apedrejado depois pelos judeus de Antioquia e Icônio, e jogado no lixão da cidade (At 14.19). O próprio Paulo ensinava que, “por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus” (At 14.22). Os sofrimentos e humilhações foram incontáveis ao longo do seu ministério apostólico entre os gentios. Por isso disse a Timóteo: “Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo”.



  • A obra não era fácil, observe que Paulo não encontrou situações cômodas, pelo contrário, sempre passou por algum sofrimento;
  • Importante ressaltar as viagens de Paulo e as situações enfrentadas;
  • Nesta primeira viagem de Paulo, ele andou 1973km em 3 anos (46 a 48 d.c);
  • Paulo e Barnabé partem de Antioquia da Síria - fonte: http://www.nospassosdepaulo.com.br/p/paulo-vivo-hoje.html
  • Ilha de Chipre
  • Salamina – Anuncia Jesus na sinagoga depois atravessa a ilha a pé, evangelizando.
  • Pafos – Adota o nome romano Paulo. Anuncia o Evangelho ao procônsul romano e causa cegueira ao mago Barjesus.
  • Segue por mar para a Ásia menor.
  • Panfília 
  • Perge – Marcos regressa da missão e Paulo fica irritado.
  • A Ásia Menor é atravessada pela Via Imperial Augusta ou Sebaste, que vai do porto marítimo de Éfeso até o porto fluvial de Tarso. 
  • Psídia
  • Antioquia da Psídia – (Após andar 260 km a pé, pela Via Augusta, atravessando os montes Taurus repletos de salteadores, chegam à cidade.) Evangeliza na sinagoga, é perseguido pelos Judeus e se volta para os gentios.
  • Licaônia 
  • Icônio – (Continuam a viagem pela Via Augusta, mais 140km) Evangeliza na sinagoga e é perseguido pelos judeus. 
  • A população tenta linchá-lo e foge para Listra. 
  • Listra – (outros 40 km da Via Augusta) Cura um paralítico e não entende o dialeto local. O povo também não entende o grego. É venerado como o deus Mercúrio. Chegam os de Icônio e convencem a população a apedrejá-lo. É arrastado para fora da cidade como morto. Volta a entrar na cidade e parte no dia seguinte. 
  • Derbe – Evangeliza sem perseguição.
  • Regresso da primeira viagem
  • Paulo e Barnabé voltam por todas as cidades evangelizadas, “ordenando seniores” nas comunidades.
  • Tomam um navio no porto de Atália e regressam a Antioquia da Síria, onde relatam a missão para a comunidade.
  • Concílio de Jerusalém (cap 15)
  • Os Judaizantes de Jerusalém vão a Antioquia da Síria e defendem a circuncisão dos gentios. 
  • A comunidade envia Paulo e Barnabé a resolverem a questão com os apóstolos.
  • Em Jerusalém, narram tudo o que fizeram entre os pagãos. 
  • Os apóstolos concordam que os pagãos não precisam converter-se ao judaísmo antes de serem cristãos.
  • Reenviam os dois a Antioquia da Síria, acompanhados por Silas, trazendo uma carta para a comunidade.









2.2. Um missionário estrategista
O que traz vitória na guerra é uma boa estratégia, e Paulo era um ótimo estrategista na evangelização. Ele sempre priorizava os judeus, pois estavam organizados nas cidades e tinham a sua sinagoga. Ali eles já desenvolviam um trabalho de proselitismo ao derredor, entre os gentios, o que facilitava muito para o trabalho de Paulo, por isso, como fariseu que era, ia aos sábados nas sinagogas e pregava a todos os que estivessem lá.


  • Estratégia, uso da racionalidade associada a espiritualidade para alcançar os povos;
  • Paulo, como fariseu, pregava aos judeus nas sinagogas aos sábados, pois sabia que eles estariam lá;
  • Proselitista: Judeus que pregavam a conversão ao judaísmo, Paulo aproveitava este momento e fazia o mesmo, mas anunciando Cristo como Salvador.

2.3.  Um líder adaptável
Paulo era flexível em seu método de abordagem, para os judeus ele falava como sendo judeu, ele usava a Lei, com os Profetas lhes relembrando às promessas de um Messias sofredor, etc. Mas para com os gentios, ele falava como se fosse gentio, de maneira que falava positivamente do Criador de todas as coisas e que enviara seu Filho, como fez em Listra. Como ele mesmo escreveu: Fiz-me de escravo, de judeu, de fraco, enfim, “Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (ICo 9.22b). Paulo, em seus dias, enfrentava uma diversidade cultural muito grande, porém a mensagem do evangelho não é privilégio de alguns, e sim, para todos os povos. Assim, quando abordava as pessoas, ele procurava um ponto de contato social ou cultural que o identificasse com seus ouvintes e eliminasse as barreiras piscológicas para aplicar o evangelho com eficácia. Logo, fica claro, que ele não chegava impondo a sua cultura ou desrespeitando as outras crenças, mas anunciava, com muito tato, a salvação em Jesus Cristo.


  • Paulo não pregava um evangelho engessado e preconceituoso, mas aceitava a todos como eram e se fazia como os que ouviam sua pregação;
  • Ser romano, judeu, poliglota e letrado o permitiu atingir todas as classes sociais da época;
  • Paulo procurava quebrar as barreiras sociais da época e respeitava a diversidade cultural dos povos evangelizados, assim ele quebrava preconceitos, se aproximava do povo e tinha deles a atenção necessária para a pregação do evangelho;
  • Há quem diga que o evangelho não precisa ser adaptado para ser proclamado, mas Paulo mostra o contrário. Devemos pensar: O evangelismo de jovens possui as mesmas características do evangelismo de idosos? de viciados? cultos? incultos?...


3. Um homem resignado
A carreira de um homem é determinada pelo constante preparo, e pela dedicação integral no exercício da sua escolha. Nos antigos jogos gregos de Olímpia, que inspirou a moderna olimpíada, era declarada uma trégua entre as cidades que se rivalizavam para que os atletas chegassem com segurança, tais homens representavam a sua cidade de origem, e, no retorno, eram celebrados como heróis por elas quando campeões. Paulo era, portanto, um homem tal qual um atleta do Reino de Deus que tinha em mente alcançar uma coroa que não se deteriora.


  • O comentador compara o sucesso ministerial de Paulo com os atletas de uma olimpíada;
  • É importante observar que, um atleta que ganha uma prova que dura poucos segundos, se preparou por meses, dedicando-se e abdicando-se de muitas coisas;
  • Um atleta que fica 1 semana sem se dedicar a preparação, perde rendimento que levará semanas para recuperar;
  • O obreiro jamais pode baixar a guarda, o preparo deve ser constante para obter a vitória ministerial.

3.1. O objetivo de Paulo (1Co 9.26a)
Paulo, como atleta missionário, tinha uma marca a atingir, isso significa dedicação integral, ele não podia se distrair com outra coisa que o afastasse de seu alvo. A sua dedicação era tão intensa que não admitia desistências como no caso de João Marcos, que diante de Perge na Panfília os deixou. Se bem que lá era um lugar montanhoso, arriscado e infestado de ladrões. Contudo, para Paulo, tratava-se apenas de um obstáculo a ser vencido a fim de chegar ao seu destino, ele tinha uma marca a atingir; depois de apedrejado em Listra, e ali dado como morto, Paulo escapou, mas em seguida levanta-se e entra na cidade novamente. Tentamos entender o que havia na mente de Paulo, para que mesmo tomando uma surra de varas em praça pública e sendo injustamente preso, ainda assim insistia em permanecer em Filipos (At 16.37-39). Posteriormente, Paulo mesmo dá uma resposta: “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.14).


  • O líder nunca desiste, quando digo líder, digo em todos os sentidos;
  • O líder da família, nunca desiste dela, mesmo quando algum dos seus membros o abandonam;
  • O líder de uma equipe de trabalho chama a responsabilidade pra si e leva o trabalho até o cumprimento da meta, independente se alguém da equipe "abandona o barco";
  • Paulo era o líder da evangelização neste momento, teria que atravessar uma região após Perge cheia de ladrões e salteadores, João Marcos, temeu e deixou Paulo na mão;
  • Paulo mostra que o líder não desiste, depois de apedrejado e dado como morto em Listra, ele volta a cidade pois ainda havia algo a ser feito;
  • Depois de açoitado e sendo preso sem nada dever, ainda continua com o mesmo ânimo na obra de Deus;



3.2. Assim combato, não como batendo no ar (1Co 9.26b)
Os desafios de um missionário são grandiosos, existe um combate pelo estabelecimento do Reino de Deus e bem sabemos que Satanás de alguma forma contra-atacará. À medida que um obreiro vai tendo êxito, ele tentará distrair o servo de Deus consigo mesmo, fazendo-o achar-se mais santo, um escolhido de Deus, e um anjo do céu na terra. Paulo não admitia perda de tempo, pois o elemento com que trabalha é eterno. Assim, quando ele achava que tinha terminado o seu testemunho em determinado lugar, mudava-se para outro, pois a vida é curta, o tempo passa, e aquela geração se não for evangelizada, perder-se-á. Ao mirar para as santas Escrituras, elas são confrontadas com o elevado padrão dos primórdios evangelizadores.


  • Notemos que o grande privilégio de anunciar o evangelho foi dado ao homem, somos nós os responsáveis pela propagação do reino de Deus na terra;
  • Portanto, nenhum reino cresce sem oposição, e nosso maior opositor é satanás, seus anjos e seus sistemas;
  • Orgulho: O grande erro de Lúcifer, ele tem usado esta mesma artimanha com obreiros com sucesso ministerial, é um perigo quando o obreiro começa a se achar auto suficiente;


3.3. Para alcançar uma coroa incorruptível (1Co 9.25)
Numa olimpíada, o descumprimento das regras implicava penalidades e até na eliminação da competição como acontece em nossos dias. Por outro lado, qualquer prêmio que não represente uma participação legítima não tem valor. No Reino de Deus, a desclassificação é muito real, só que, às vezes, o atleta (crente) nem percebe que foi eliminado. O sofrimento e a ingratidão no trabalho ministerial pode tornar um coração muito ressentido, insensível e, é assim que muitos, na verdade, estão fazendo a obra de Deus. Imaginando que tem a aceitação dele, quando, na verdade, estão desclassificados há tempos, e tudo, quanto fizerem, não terá louvor algum diante de Deus. Noutras palavras, significa que a coroa incorruptível, de justiça, imarcescível jamais será alcançada por um desclassificado. Para evitar a desclassificação, o obreiro esmurra o próprio corpo e o reduz à escravidão, para que ao evangelizar a outros não seja desqualificado (ICo 9.27). É desse homem que estamos falando. Paulo assim o fez.


  • Certa vez um obreiro de minha cidade disse que, para defender Jesus, ele iria até para o inferno;
  • Há quem diga que vale tudo para pregar o evangelho, esquecem que servem a um Deus justo que adota regras e se agrada da ética e honestidade do seu povo;
  • O grande prêmio dos atletas olímpicos é a medalha, para os crentes é a coroa da justiça e os galardões;
  • Não há como burlar as regras e receber a coroa;
  • Lance Armstrong usou de meios ilícitos para ganhar medalhas, entre elas 7 voltas da França, porém usou de dopping para isto e viu suas medalhas serem caçadas, algo como perder a coroa antes conquistada;
  • Devemos seguir a luz da justiça de Deus para fazer a sua obra, caso contrário poderemos participar deste dialogo: Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? ’
  • Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! ’ " Mateus 7:22-23


Conclusão
Ele foi um vaso escolhido para levar o nome de Cristo, um soldado valoroso, um estrategista do Reino, um fazedor de tendas, um plantador de igrejas, um homem que trouxe, no corpo, as marcas de Cristo. O que fez a diferença na vida de Paulo foi o preparo constante e a dedicação intensa. Os mesmos princípios que, se levados a efeito, trarão impacto também ao nosso trabalho.

domingo, 28 de outubro de 2012

PAULO E BARNABÉ, ALIADOS NA OBRA DO SENHOR


LIÇÃO 05 – 04 de Novembro de 2012

PAULO E BARNABÉ, ALIADOS NA OBRA DO SENHOR

TEXTO AUREO

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”. ICo 15.58

VERDADE APLICADA

O grande segredo para o crescimento espiritual e ministerial na obra do Senhor reside na perseverança e aprendizado constante.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

At 11.25 - E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia.
At 11.26 - E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.
At 11.27 - E naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia.
At 11.28 - E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César.
At 11.29 - E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia.
At 11.30 - O que eles com efeito fizeram, enviando-o aos anciãos por mão de Barnabé e de Saulo.

INTRODUÇÃO
Quando Paulo retomou à sua cidade natal (Tarso) pareceu um desfecho um tanto melancólico dado por Lucas. Mas ai ele passa a narrar vividamente os atos de Pedro, para depois retornar a trajetória de Paulo como um assistente de talento. Aqui estudaremos um pouco do perfil de Paulo que atendendo um convite para auxiliar Barnabé, teve um contínuo progresso espiritual e ministerial em Antioquia.

  • Atos conta a histórias de vários apóstolos, Pedro é um dos mais citados, observe que o comentador diz que Lucas se atem a Pedro antes de narrar a trajetória de Paulo;
  • Pedro em At 10 prega com veemência aos gentios, semelhantemente o que fez em At 2 quando pregou aos judeus.


1. PAULO, UM COMPANHEIRO EM POTENCIAL
Aquele era um momento surpreendente de crescimento e multiplicação de conversões nas regiões da Judéia, Galileia e Samaria, e os irmãos que saíram dispersos por causa da perseguição iam anunciando a Palavra por onde passavam, de maneira que muitos judeus se convertiam cada vez mais ao Senhor.

  • Que perseguição é esta? Qual a sua finalidade? Porque Deus permitiu tal sofrimento?
  • Estas perguntas geralmente são feitas pelos leitores da Bíblia. A resposta é simples, em tudo Deus tem um propósito. A perseguição começou com o próprio Paulo no episódio da morte de Estevão, mas serviu para espalhar o evangelho que antes estava sendo pregado apenas aos judeus.


1.1. ANTIOQUIA, UMA IGREJA CRESCENTE (At 11.20,21)
Grande número de pessoas se converteu ao Senhor em Antioquia, mas o fato de ser uma igreja fora dos termos de Israel e mista, ainda era algo complicado para os apóstolos em Jerusalém. O motivo era preconceito. Por esse motivo, Pedro, o primeiro a entrar na casa de um centurião romano e pregar a salvação em Cristo teve que se explicar por entrar na residência de um pagão incircunciso, ainda que piedoso e dirigido por revelação divina (At 11.4-18). É claro que essa notícia se espalhou na comunidade dos fiéis a Cristo, estimulando muitos a falarem de Jesus aos não judeus também. A igreja de Antioquia cresceu de tal maneira que alcançou mais expressão do que Jerusalém com o passar do tempo.

  • Igreja mista, esta era a vontade de Deus, que a salvação chegasse a todos;
  • Os judeus achavam que a salvação era para eles como povo escolhido e não aceitavam a mistura com os pagãos.
  • Teriam que deixar o preconceito de lado e entender que a salvação é para todos.
  • Observe que Pedro teve que se explicar por entrar na casa de um centurião romano; será que ainda hoje não estamos agindo com preconceito?
  • A visão de Pedro em At 10. 11,12 esclarece a vontade de Deus.


1.2. BARNABÉ O ENVIADO (At 11.22-24)
Quando aquele fenômeno de crescimento da igreja em Antioquia chegou ao conhecimento da liderança de Jerusalém, a igreja enviou Barnabé com a finalidade de legitimar Antioquia. Barnabé era homem generoso, benquisto entre os apóstolos, e de grande reputação na igreja. A pessoa perfeita para aquele momento. Eusébio de Cesaréia afirma que Barnabé foi um dos setenta discípulos do Senhor Jesus (H. Eclesiástica, L.l Cap.12,1). Em virtude do seu perfil tolerante e empreendedor, Barnabé trabalhou de modo tão excelente que a comunidade dos crentes cresceu com muita qualidade (At 11.24). Porém ele observou que Paulo era um companheiro perfeito para aquele trabalho.

  • Como assim legitimar? Legitimar no sentido de reconhecer a obra como de Deus e dar apoio para que ela cresça ainda mais. Este apoio foi dado com o envio de Barnabé.
  • Se não houvesse reconhecimento, poderia surgir uma igreja paralela.
  • Observe que Barnabé é citado como um dos setenta que Cristo enviou e ainda como um homem tolerante e empreendedor, características fundamentais de um líder comprometido com resultados.


1.3. PAULO É CONVIDADO PARA TRABALHAR (At 11.25)
Barnabé tinha uma convicção de que Paulo, ao ouvir o relato das grandezas de Deus em Antioquia, e a sua responsabilidade pastoral ali naquela cidade, interessar-se-ia em acompanhá-lo. Barnabé partiu em busca de Paulo, até que, finalmente, o achou. Diante do relato de Barnabé, Paulo aceitou prontamente ir com ele para Antioquia a fim de auxiliá-lo. Aí vemos o verdadeiro coração de um servo de Deus. Paulo aceitou ficar em Tarso da Cilicia trabalhando com tendas, ofício que aprendera quando mais novo, mas diante da necessidade, dispôs-se a trabalhar em Antioquia. Parece incrível, mas todas as grandes personalidades de destaque nas páginas sagradas estavam ocupadas quando foram chamadas. Um chamado divino deve sempre ter prioridade na vida de quem serve a Deus.

  • Barnabé, orientado por Deus, aceitou prontamente a trabalhar na obra de Deus.
  • Pergunto: Será que temos agido assim, quando recebemos um convite do pastor, superintendente da EBD, ciclo de oração, aceitamos de bom grado? Quando aceitamos nos preocupamos com o compromisso firmado?
  • Importante observar que todos os que foram chamados para trabalhar na obra do Senhor estavam ocupados em seus afazeres domésticos e profissionais.


2. O TRABALHO DE BARNABÉ E PAULO
A igreja em Antioquia principiou com elementos judeus, depois helénicos, e por fim gentios. Essa massa de pessoas vindas de diferentes lugares com culturas diferentes, no entanto, tinham uma coisa em comum, o fato de crerem em Jesus Cristo. A fé em Jesus foi o agente agregador que os reuniu eliminando vantajosamente todas as diferenças e possibilitando a realização posterior da obra missionária no Império Romano.

  • A igreja se iniciou no meio dos judeus, por isto a influência inicial foi de elementos judeus como por exemplo das sinagogas que deram origem as igrejas cristãs;
  • Posteriormente havia uma grande influência do mundo grego e a cultura helênica influenciou a igreja dos primeiros séculos;
  • Posteriormente, as mais variadas culturas dos gentios influenciaram a igreja que, mesmo em sua multiplicidade, possuíam em comum a crença em Jesus.


2.1. A PRIORIDADE NO ENSINO (At 11.26)
Quando pensamos na integração de Paulo junto aos irmãos de Antioquia, lembra que tudo foi diferente de Damasco e Jerusalém por causa da aceitação de seu trabalho junto a Barnabé. A princípio, ambos laboraram firmemente no ensino durante um ano inteiro; eles foram sábios o suficiente para realizarem um trabalho pastoral e missionário sem negligenciar a instrução. Esse cuidado foi tão decisivo e salutar para aquela igreja que os fiéis se esforçaram para se parecer cada vez mais com Jesus, o Cristo. Note que por causa do ensino acompanhado de bom testemunho, pela primeira vez, os crentes em Jesus foram chamados cristãos (At 11.26; Mt 22.29; Pv 18.15).

  • Pastoreio, obra missionária e instrução, esta era a preocupação dos pais da igreja;
  • Instrução voltada a Jesus, Cristo Centrica, com firme relato de sua obra, morte e ressurreição.
  • Infelizmente hoje existem mensagens que sequer citam o sacrifício de Jesus na cruz do calvário.
  • O ensino foi tão eficaz e bem recebido que os crentes daquela época buscavam se parecer com Cristo a ponto de serem apelidados de Cristãos.


2.2. PROVERAM SOCORRO AOS NECESSITADOS (At 11.28-29)
Como o cenário político era muito inconstante, as crises assolavam facilmente, somado às catástrofes naturais como em nossos dias, isso por si só gerava muitos necessitados de pão no mundo afora. Todavia, nesses dias, em que Barnabé e Paulo estavam em Antioquia, desceu de Jerusalém uma comitiva de profetas, não se sabe o propósito exato deles nessa visita, mas a fama do crescimento da igreja em Antioquia contribuiu decisivamente para isso (At 11.26). O exercício ministerial de profeta era um ofício comum naqueles dias que contribuía uniformemente para o crescimento da igreja, junto com os apóstolos. E um daqueles profetas vindo com a comitiva de Jerusalém, por nome Ágabo, anunciou uma fome que se abateria por sobre todo o mundo (At 11.27), “e isso aconteceu no tempo de Cláudio César”.

  • É importante ressaltar que a profecia acompanha a igreja desde a sua fundação, e que se deve dar crédito a voz profética;
  • Todavia, temos visto uma banalização do termo “profetiza” como se fosse algo extremamente normal como dizer um aleluia da boca pra fora;
  • A fome assolava aquela região bem como as inconstâncias políticas, nesta hora vemos que a igreja surgiu em um misto de evangelização, ensino e assistência.
  • Infelizmente temos visto que a assistência tem sido deixada de lado pois não dá retorno financeiro e dá muito trabalho, algumas igreja tem se dedicado apenas ao templo e aos que ali chegam, recebendo deles a oferta, o dízimo e devolvendo pregações e louvores apenas.


2.3. REPRESENTANTES DE ANTIOQUIA (At 11.30)
É muito interessante que os discípulos resolveram enviar suprimentos aos irmãos que habitavam na Judéia através de seus representantes legítimos, a saber, Barnabé e Paulo. Eles receberam a palavra profética, mas deliberaram entre si cooperar, a fim de mitigar a fome dos irmãos na Judéia. Para ambos os líderes restou a alternativa feliz de representá-los conduzindo o donativo que demonstrava carinho e gratidão aos irmãos de lá. Através desse fato, aprende-se que nem toda a iniciativa deve começar exclusivamente com a liderança, mas esta pode ser conduzida a organizar, enviar ou mesmo representar a assembleia local dos crentes numa obra social.

  • Observe o plano de Deus: A princípio os judeus não concordavam em se “misturarem” com os gentios, nem tão pouco que o evangelho fosse pregado aos não judeus.
  • Agora, com a fome na Judéia, os gentios proveram sustento que foi enviado aos judeus legítimos por mão de Saulo e Barnabé. Rompiam-se barreiras de preconceito para a disseminação do evangelho.
  • É importante ressaltar que, as atitudes que envolvem a igreja, devem começar pelo líder e depois ser divida em forma de responsabilidades.


3. O RETORNO DA MISSÃO REPRESENTATIVA
Barnabé e Paulo provaram mutuamente ser bons parceiros na seara do Senhor. Barnabé estava satisfeito por ter buscado Paulo como companheiro na missão pastoral em Antioquia. E Paulo, por sua vez, estava demonstrando ser um assistente de talento ao lado de Barnabé, sempre dentro de suas expectativas.

3.1. A PALAVRA CRESCIA E MULTIPLICAVA-SE (At 12.24)
O escritor de Atos nos dá uma nota do grande crescimento da obra do Senhor não apenas em Antioquia da Síria, mas também nas regiões da Judéia. Antioquia alcançou um momento de crescimento e de multiplicação por todo seu termo. Na verdade, a perseguição contra os cristãos os forçou a se espalharem, aumentou o seu fervor e a disposição em anunciar as boas novas, o que, finalmente, contribuiu para aumentá-la. Embora pareça um assunto solto do autor, Lucas, ao dar uma visão rápida do que estava acontecendo, estava preparando o leitor para saber do movimento missionário que já estava por florescer envolvendo os dois campeões, Barnabé e Paulo. Parece que, às vezes, toma-se necessário um pouco de perseguição para que se chegue ao ponto certo em que Deus possa usar o homem. José entendeu isso perfeitamente depois de trabalhado por Deus (Gn 45.7,8).

  • O povo estava aflito, as condições da época eram desesperançosas e o evangelho crescia como uma forte esperança de paz para as almas angustiadas;
  • Observe que a perseguição não só espalhou o evangelho como também fortaleceu o coração dos novos crentes na fé ao ponto de falarem avidamente do amor de Cristo para os outros;
  • Vivemos em tempo de bonança em todos os sentidos, será que continuamos com a fé inabalável em nosso Salvador ou estamos acomodados em nossa zona de conforto?
  • Se estivermos acomodados, pode ser que venha uma perseguição para nos despertar para a vontade do Pai.


3.2. RETORNARAM ACOMPANHADOS (At 12.25)
Mesmo com o enorme crescimento e multiplicação da Igreja, a situação não era tranquila em Jerusalém e nos arredores para os fiéis, pois Herodes Agripa I, neto de Herodes, o Grande, reinava e procurava agradar aos judeus observando os seus costumes e perseguindo os cristãos. Tiago, filho de Zebedeu, foi executado sob suas ordens e Pedro escapou da prisão sobrenaturalmente por intercessão da Igreja. Na fuga, Pedro se dirigiu à casa de Maria, mãe de João Marcos, onde muitos irmãos estavam orando. Ao que tudo indica, ao levar os donativos Paulo e Barnabé aproveitaram para agregar João Marcos entre eles (At 12.25; 13.5). João Marcos trouxe uma vitalidade a mais e pôde estar entre os notáveis pioneiros do Evangelho, tais como Pedro, Barnabé e Paulo.

  • Em meio a perseguição e perigo iminente de morte, mais obreiros surgiam na igreja primitiva;
  • Herodes Agripa I, que posteriormente foi comido por bicho, mandara matar Tiago e o governo perseguiu Pedro que conseguiu fugir da prisão milagrosamente;
  • Em meio a tanta turbulência, João Marcos, sobrinho de Barnabé, também conhecido como Marcos, o escritor do evangelho que leva seu nome, se uniu à dupla para fazer a obra de Deus. Não há luta que impeça o crescimento da obra de Deus.


3.3.  RETORNO COM UM DEVOCIONAL INTENSIFICADO
Quando Barnabé e Paulo chegaram de viagem, evidentemente eles apresentaram o novo companheiro à Igreja de Antioquia, João Marcos (At 13.5). Após o retomo de Barnabé e Paulo, verifica-se uma intensificação na busca a Deus com orações e jejuns da liderança da Igreja. O Espírito Santo é o principal responsável por essa fome de Deus e pela sede do estabelecimento de sua vontade na terra gerado nos crentes. É claro que a viagem cooperou para isso, mas Deus sempre esteve por trás de tudo o que acontecia naquele momento. Devemos entender que, quando o próprio Deus quer estabelecer mudanças, elevar a Igreja local a patamares espirituais mais profundos, ele vai usar aqueles que estão disponíveis, mais acessíveis ao seu agir (Jr 1.5-9).
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  • Vemos muitas igrejas buscando o avivamento, mas não estão dispostas a trabalhar na obra enquanto não forem avivadas;
  • Vemos no exemplo de Paulo, Barnabé e Marcos que, quanto mais trabalhavam na obra, mais o Espírito Santo visitava a igreja e aviva o Seu povo;
  • É importante ressaltar que o avivamento era seguido de jejum, oração e palavra, há uma falsa doutrina que avivamento é barulho, cânticos e saltos, não que isto seja errado, mas o verdadeiro avivamento deixa o coração contrito e sensível a voz de Deus.


CONCLUSÃO
Percebe-se, ao longo desta lição, que a figura de Paulo, quando veio de Tarso para Antioquia, não apareceu muito. Senão ensinando a Igreja junto com Barnabé e, evidentemente, com outros mestres locais. Paulo era um assistente de valor, mas que reconhecia a sua posição na Igreja e honrava seu colega que lhe dera tamanho privilégio ao convidá-lo como assistente direto. Paulo soube aproveitar as oportunidades que lhe davam.

  • Que exemplo nos deu Paulo, ele que foi chamado pessoalmente por Jesus, não quis pular etapas e, após orar e se preparar, serviu primeiramente como assistente com uma dedicação e alegria exemplares;
  • Temos hoje novos convertidos que se ofendem se não forem imediatamente consagrados ou assumirem cargos de destaque na igreja, não querem começar como assistente, querem aparecer de imediato.