quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Sirva a Deus em todo o tempo e com toda a sua família

LIÇÃO 11 15 de setembro de 2013

TEXTO AUREO

Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha.  Mt 7.24

VERDADE APLICADA

O lar cristão deve ser um ambiente onde os bons costumes sejam ensinados, devendo vigorar uma liberdade que não é sinônima de ausência de autoridade e de disciplina, mas de consagração para o serviço de Deus.

OBJETIVOS DA LIÇÃO

Ensinar que a família é o edifício mais importante da sociedade;
Enfatizar que o lar como escola deve valorizar o amor bíblico, a coragem cristã e a liberdade, que não é sinônima de ausência de autoridade;
Utilizar as atividades da Igreja e o culto em casa como ferramentas para aproximar a família para mais perto do Senhor.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

Mt 7.24 - Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha,
Mt 7.25 - E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
Mt 7.26 - E aquele que ouve estas minhas palavras e as não cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia.
Mt 1.27 - E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.


INTRODUÇÃO

Nesta e nas próximas lições, serão oferecidas sugestões práticas e ferramentas para aplicação daqueles princípios e métodos que estudamos nas lições anteriores, a fim de que, havendo já sido despertados, fortalecidos e orientados pela Palavra e sabedores do que e como fazer, podermos fechar o trimestre com um brado, seguros e confiantes de que nossa casa está ou será edificada sobre a rocha.


1.    Construa, reforme ou reconstrua sua família

Há muito que a família, edifício mais importante da sociedade, vem sendo construída sobre a areia, inclusive famílias cristãs. Não é de se admirar, portanto, que haja tanta delinquência juvenil, tantas meninas mães, tantos meninos de rua, tantos crimes passionais e muitos outros crimes e mazelas sociais resultantes de lares desfeitos, de pais que não sabem educar filhos, de pais violentos, de abusadores sexuais dos próprios filhos, etc. Precisamos despertar agora e fazer o que tem que ser feito para, daqui por diante, voltarmos aos sólidos fundamentos da Palavra e sobre eles edificar ou reedificar nossas famílias.

1.1. Transforme seu lar em uma escola

A Bíblia contém exortações objetivas e contundentes aos pais, a que tornem ao seu encargo direto a educação de seus filhos (Dt 6.6-9; Pv 22.6; Ef 6.4), porém, infelizmente, nestes últimos dias, algumas famílias cristãs, assim como as demais, têm terceirizado a educação de suas crianças, adolescentes e jovens. Delegam tão importante tarefa às creches, às escolas, e às Igrejas. Todas as instituições citadas são importantes, porém devem atuar apenas como colaboradoras dos pais e não como substitutas deles. Os cultos de ensino, a EBD e os seminários oferecidos pelas Igrejas são necessários e muito importantes à formação integral da pessoa, mas foi aos pais que Deus entregou a tarefa de educar os filhos.

  • Não há substituto para a criação dos filhos, infelizmente muitos filhos estão tendo seu caráter moldado pelos colegas de escolas e amigos não crentes, pelos programas ilícitos da TV e pelos costumes do mundo.
  • Hoje, os professores têm medo de chamar os pais para relatar uma nota baixa de um aluno ou mesmo um mal comportamento. Os pais defendem os filhos mesmo quando estes estão errados e perpetuam seus erros.
  • A falta de tempo, o egoísmo e a ganância financeira têm criado uma geração de pais ausentes, não há mais tempo para os filhos, não há ensino bíblico, não há aconselhamento, muito menos afeto no lar.


1.2. Transforme seu lar em um templo

Não importa se é num palácio, num espaçoso e luxuoso apartamento, ou num dois quartos popular, onde vivem seis pessoas ou mais, num barraco de lona, num casebre; o lugar em que a família cristã se abriga precisa ser um templo onde o Senhor é adorado diariamente.

  • Não há lugar melhor do que a nossa casa! Infelizmente nem todas as famílias podem dizer isto. Há muitos filhos que demoram ao máximo para chegar em casa pois sabem que ali encontrarão um lugar de tormento, muitos maridos e esposas também demoram na rua para chegar tarde em casa e não precisar "conviver" com a família.


1.3. Transforme seu lar em uma oficina

Nosso crescimento, formação e aperfeiçoamento implicam em muitos erros e desacertos, na verificação de falhas e defeitos, em tropeções e quedas que nos ferem e traumatizam o corpo e a alma. Façamos do nosso lar uma olaria, uma oficina bem equipada, um hospital bem aparelhado e um consultório psicológico bem aconchegante, onde todos os membros da família possam ser amparados, consertados e curados, de modo a que se transformem em belos e úteis vasos para a glória de Deus (Jr 18.4). Não descarte seu cônjuge por conta das imperfeições e infidelidades dele. Não descarte seu filho em hipótese alguma. Cônjuges e filhos são seres em aperfeiçoamento, os quais Deus nos entregou. Não podemos jamais desistir deles.

  • Não há estagio para ser pai, aprendemos a ser pais com os nossos filhos e infelizmente erros surgem ao longo da caminhada.
  • Os erros devem servir de escola, mas para isto é importante exercer a humildade, os pais devem reconhecer os excessos e voltar atras em suas atitudes. Os filhos devem reconhecer suas falhas e pedir perdão aos pais e tudo isto deve ocorrer em casa.
  • Havendo perdão, humildade, compreensão, tolerância e amor, todos os conflitos se resolvem.


2. As principais regras para a escola do lar
Como os primeiros e os principais mestres responsáveis pela formação integral dos indivíduos que Deus lhes confiou, os pais não devem se conformar com a mentalidade deste mundo, mas buscar a transformação cotidiana pela renovação do entendimento, para que possam experimentar qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para si e levar os filhos a experimentá-la também (Rm 12.2). O Ministério da Educação, o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e outros órgãos públicos, estabelecem uma série de normas para a abertura e funcionamento de escolas. Mas é a Bíblia que estabelece as normas para a formação da família, a primeira e mais importante escola da humanidade. Para que os edificadores e mestres desta escola sejam bem sucedidos, é necessário que observem:

2.1. O lar deve ser fundamentado e desenvolvido sobre o amor bíblico
Em que errei na educação de meus filhos? É a pergunta desesperada de pais que vêem seus filhos escolherem andar por um caminho diferente daquele em que esperavam que andassem. Talvez tenham feito tecnicamente tudo certo, mas tenha falhado no amor. Como assim? Amo meus filhos mais que tudo na vida, como posso ter falhado justamente no amor? Este talvez seja o primeiro erro e é o pai dos demais erros, pois o amor bíblico é aquele que é dedicado primeiro e com maior intensidade a Deus (Mt 10.37; 22.37), a fim de que possa permear de modo equilibrado e saudável nossas relações humanas de amor, inclusive com nossos filhos.

  • Você seria capaz de olhar para seu filho, pequeno, inocente, dormindo em seu berço e dizer com convicção eu amo meu filho, mas amo mais ainda a Deus?
  • Muitos pais tem em seus filhos a coisa mais importante de suas vida deixando Deus e os cônjuges em segundo lugar.
  • Um lar onde Deus não seja o centro e digno de ser amado de todo o nosso coração tem tudo para ruir.
  • Um lar onde o marido ou a esposa são menos amados que os filhos esta fadado ao fracasso.
  • Os filhos devem sim ser amados, mas o amor a Deus nunca deve ser negligenciado, bem como o amor e o cuidado ao cônjuge.


2.2. No lar não pode haver lugar para o medo
O lar cristão deve ser um ambiente onde haja bons costumes (que não ferem nem contrariam a Palavra), onde se cultivam os bons sentimentos (os mesmos que houve em Cristo Jesus), onde se forma o caráter (semelhante ao de Cristo), onde se edificam princípios e se comunicam valores (eternos), onde se forma e se renova a mente (pelo enchimento da mente Cristo). Por isso, nesta escola, a educação não pode ser administrada através da coação, do medo e do temor (1 Jo 4.18), mas pela persuasão do Espírito Santo (Zc 4.6).

  • A Bíblia fala que devemos temer a Deus, mas há pessoas que tem medo de Deus. Temor e medo são coisas totalmente diferentes, o medo afasta o temor aproxima.
  • O medo esta relacionado ao terror, o temor esta relacionado ao respeito.
  • No lar, devemos criar uma atmosfera de respeito e bons costumes onde os conflitos são resolvidos pelo respeito e dialogo e jamais pela coação.
  • Os filhos que tem medo dos pais, procuram se afastar deles e jamais se aproximarão para pedir um conselho ou mesmo confessar um erro.


2.3. No lar deve haver liberdade
Deve vigorar no lar uma liberdade que não é sinônima de ausência de autoridade e de disciplina, mas aquela em que os filhos podem se aproximar dos pais para exporem suas dúvidas e curiosidades, pedirem ajuda, dar e receberem carinho, confessarem uma falta ou fraqueza, etc. Além disso, é aquela liberdade que concede aos membros da família condições e espaço para desenvolverem potenciais e habilidades, personalidade própria, gostos e convicções pessoais, fazerem escolhas e assumirem responsabilidades. Liberdade e autoridade são plenamente conciliáveis e complementares no lar em que habita o Espírito de Deus (2Co 3.17).

  • Liberdade não significa desrespeito, folga excessiva ou tratamento leviano dos filhos aos pais, antes significa que o amor sobressai ao medo e cria uma atmosfera de amizade e cumplicidade entre os membros da família.
  • Esta cumplicidade permite que os membros da família se conheçam de maneira a perceberem quando alguém esta em dificuldades e precisando de ajuda.
  • A liberdade no lar como foi dito no tópico posterior, leva a confiança e esta confiança é fundamental para que os filhos tenham coragem de pedir aos pais auxilio nas duvidas da adolescência ou juventude por exemplo.



3. Conduza sua família ao Senhor
Muitos de nós falhamos com nosso cônjuge e filhos em um aspecto que jamais deveríamos falhar: a salvação deles aliada a uma vida cristã frutífera. Em muitos casos, talvez na maioria deles, isso ocorre porque somos consumidos pelas exigências educacionais deste mundo e não nos damos conta do desequilíbrio em que estamos incorrendo. Na verdade, se não for possível equilibrar o terreno e o espiritual na edificação da família e educação dos filhos, melhor seria que favorecêssemos o aspecto espiritual, porque este mundo milita contra Deus e contra nossa família. Para corrigir possíveis falhas, prevenir outras, e resgatar nossa família, precisamos, entre outras coisas, não negligenciar as três coisas a seguir:

3.1. Cultuar em casa e frequentar os cultos e demais atividades da Igreja
Ninguém entrava no tabernáculo sem passar pelo pátio externo, pelo altar do holocausto e pelo lavatório (Ex 40.6-8). Estas eram as primeiras etapas percorridas pelo homem para aproximar-se de Deus na dispensação da Lei. Aplicando a nós hoje, é neste estágio da vida espiritual que adquirimos a consciência de que somos escravos do feio e imundo pecado e que precisamos ser resgatados pelo sangue de Jesus, e dia a dia sermos purificados pela lavagem da Palavra, para irmos adquirindo pensamentos, linguagem, hábitos, desejos, relacionamentos e comportamentos cristãos. Os pais precisam construir o pátio, que significa solidificar na família o hábito de adorar a Deus no lar e no templo. Nossos filhos, desde a gestação, precisam ser protegidos pelas cortinas da adoração.

  • Não basta levar a família para a igreja ou forçar os filhos a participar de um culto infantil se eles não entenderem que é Jesus e o que Ele fez por nós.
  • Os filhos precisam aprender sobre o sacrifício de Jesus e o grande amor de Deus para conosco e isto se aprende no lar.
  • Eles precisam saber o que o pecado pode fazer na vida do homem e que o mundo jaz no maligno e que nossa saída esta em servir a Deus.
  • Compreendendo quem é Jesus, o que Ele dez por nós e as promessas que temos dele, fica mais fácil para os filhos entender a razão pela qual o adoramos.



3.2. Conduzir seus filhos para mais perto de Deus
O pátio externo era um lugar maravilhoso, tanto que Davi diz: ...vale mais um dia nos Teus átrios do que mil em outros lugares. Entretanto, é no Lugar Santo (uma espécie de pátio íntimo), em que Cristo, o pão da proposição e a luz que alumia as trevas espirituais da mente e do coração do homem, espera por nós. Todos os membros de sua família precisam ser iluminados por Cristo para perceberem, odiarem e abandonarem o pecado, vislumbrando as riquezas celestiais e se alimentando de Cristo para fazerem parte dEle. Conduza-os para mais perto de Cristo, a fim de que possam recebê-Lo como Salvador e viver dEle, nEle e para Ele (Ef 3.17-19). Maridos, esposas, pais, como sacerdotes do lar, para obterem sucesso na incumbência de conduzir a família a Cristo, atendam aos rogos do Apóstolo Paulo (Rm 12.1-2; Ef 5,2).

  • A Bíblia diz que o povo de Deus peca por não conhecer a Sua palavra (Os. 4.6), mas como que os filhos irão conhecer ao Senhor se os pais não ensinarem?
  • Lembremos que filho de crente, não nasce crente, antes precisa, como todos nós, conhecer o Salvador de decidir voluntariamente a segui-lo, isto é, deve aceitar a Jesus como Senhor e Salvador de sua vida.
  • A função dos pais é ensinar a criança NO caminho, infelizmente muitos pais tem ensinado O caminho, mas não se dão ao trabalho de acompanhar os filhos nos seus passos em direção a fé salvífica.


3.3. Consagre sua família a Deus
A consagração para o serviço de Deus é uma resposta ao amor que Ele nos tem e que nos foi concedido e mostrado em Cristo (Jo 3.16). Maridos, esposas, se tem consciência do amor de Deus e por conta disso nos entregamos a Ele como sacrifício vivo, santo e agradável, o mesmo deve ocorrer com nossas famílias. Precisamos consagrar ao Senhor todos os membros de nosso lar para que sejam instrumentos de honra nas mãos de Deus.

  • Nós não batizamos crianças pois estas não possui discernimento para escolher servir ao Senhor, mas temos o costume de apresentar (consagrar) nossos filhos ao Senhor pedindo a Ele sabedoria para poder cria-los no caminho santo;
  • Os pais devem apresentar a Deus o seu lar, e ensinar as crianças a fazerem o mesmo em oração;
  • Uma família dedicada a Deus e com os ouvidos abertos a Sua voz, corre menos risco de fracassos e decepções no futuro.


Conclusão
Devemos orar constantemente para que nossa família sirva a Deus em todo tempo. As sugestões práticas e ferramentas para aplicação dos princípios e métodos que estudamos, devem ser usados com sabedoria e diligência para honrar ao Senhor, e ao mesmo tempo, proporcionar uma vida de excelência para o nosso lar.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O modelo bíblico para as relações familiares

LIÇÃO 10 – 08 de setembro de 2013

TEXTO AUREO

“Até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo”. Ef 4.13

VERDADE APLICADA

Para os filhos de Deus, a doutrina bíblica da autoridade e submissão continua atual e praticá-la do modo bíblico é o único meio de salvaguardar a família e conduzi-la com êxito no cumprimento de sua missão.

OBJETIVOS DA LIÇÃO

  • Contribuir para que os alunos da EBD obtenham maior proveito do estudo bíblico;
  • Ajudar a família cristã a alcançar a unidade através do modelo de relacionamento familiar proposto pela Bíblia;
  • Promover, entre os alunos, o combate ao espírito de rebelião que se tem instalado no seio das Igrejas por conta de pessoas contaminadas por ideias machistas ou feministas.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

  • Ef 5.22 - Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor;
  • Ef 5.23 - porque o marido é a cabeça da mulher como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo.
  • Ef 5.24 - De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido.
  • Ef 5.25 - Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.


INTRODUÇÃO
Todo casal cristão, com um pouco de conhecimento bíblico, sabe de cor os deveres dos pais e dos filhos, listados em  Efésios 5.22-24 e  6.1-4.  Porém, a maioria, ou talvez  todos,  encontra grande dificuldade  em viver o modelo de relacionamento  familiar  proposto pelo Apóstolo Paulo. Ao que parece, o problema reside em não  conseguirem,  entender e aplicar o princípio que rege a doutrina paulina destinada a “regulamentar” as relações domésticas. A constatação desta dificuldade é que fez surgir à lição que estudaremos agora.

1. ENTENDENDO O MODELO BÍBLICO PARA AS RELAÇÕES FAMILIARES
A Bíblia é um livro escrito por várias  pessoas,  algumas  separadas  por  período milenar de tempo;  possui  grande  diversidade de conteúdo,  porém, nela não há nenhuma  informação  casual  ou isolada (2Pe  1.20).  Tudo na Bíblia está  inter-relacionado:  uma informação leva a outra, um ensino remete a um princípio, que por sua vez faz parte de um conjunto de preceitos fundamentados no tema central das Escrituras Sagradas. Para localizarmos o princípio que rege ou embasa qualquer doutrina, devemos conhecer o tema central e identificar o secundário, procurar a palavra chave, que é aquela capaz de traduzir o sentido global do texto que apresenta a doutrina, e remetê-lo aos seus contextos imediatos e remotos. Estes procedimentos clareiam o texto e o tornam plenamente compreensível Vamos fazer isto agora com Efésios 5,22 - 6.1-4?

  • Várias técnicas devem ser usadas na interpretação da Bíblia. Devemos lembrar que esta coleção de livros não foi escrita para ser lida e sim ser meditada;
  • A interpretação deve ser baseada em princípios tais como oração, submissão ao Espírito Santo e leitura global, evitando interpretar versículos isolados;
  • Isaías dá uma dica de como deve ser estudada a palavra de Deus, Em Is. 28.10 está escrito “Pois é preceito sobre preceito, preceito sobre preceito; regra sobre regra, regra sobre regra; um pouco aqui, um pouco ali.” A Bíblia se interpreta por si mesma e deve ser lida no seu contexto imediato (relacionando-o com os versículos escritos antes de depois do texto analisado) e contexto amplo (levando em consideração todo o livro e também outros livros da Bíblia).

1.1. O TEMA CENTRAL DA BÍBLIA
Cristo está presente em todos os livros da Bíblia, mesmo no Livro de Ester, que sequer faz menção a Deus. Ali podemos ver Mardoqueu preparar Ester para interceder pelos judeus e anunciar-lhes o dia e o modo da salvação preparada para eles. Isto prefigura um dos aspectos do ministério de Jesus: Edificar a sua Igreja e capacitá-la a anunciar o Evangelho da Salvação aos que estão sentenciados à morte. Cada um dos Evangelhos apresenta Jesus por um ângulo específico. Em Mateus vemos a realeza de Jesus; em Marcos, Sua humilhação à forma de servo; em Lucas, Sua humanidade e, em João, Sua divindade. Tudo na Bíblia converge para Cristo. Isto faz dEle o tema central da Escritura e o constitui modelo para todos os aspectos da vida de seus discípulos.

  • Como diz o hino “Tema do bom pregador: O calvário”;
  • Infelizmente estamos vivendo uma onda de igrejas neopentecostais que usam a mídia (rádio e televisão) para divulgar um evangelho onde Cristo não é o centro;
  • Há cultos que se fala mais no diabo do que em Jesus e outros tomam grande tempo em campanhas de prosperidade financeira ou no louvor. A palavra que liberta, esta têm sido menosprezada;
  • Nas famílias não é diferente, muitos lares não tem mais espaço para Cristo, antes dão prioridade para tudo, se sobrar tempo, lembram do Salvador.


1.2. O PRINCÍPIO REGENTE E A PALAVRA CHAVE
Os sub-temas centrais e secundários dos capítulos 4.6  - 6.1-4 são regidos pelo princípio da Autoridade de Deus. A porta que dá acesso ao princípio se encontra em Ef 4.6. É por causa dessa autoridade sobre tudo e todos e de Sua paternidade doada, gratuita e igualitariamente a todos os membros do corpo de Cristo, que deve haver unidade entre os membros da Igreja, pois em Cristo são todos filhos de Deus e, portanto, iguais. Para que a unidade do Corpo, subordinada à autoridade e paternidade de Deus se concretize, como no céu, são dadas instruções aos crentes quanto à vida deles nas sociedades terrenas. A palavra “como” rege essas instruções. Ela aparece 22 vezes de modo direto e uma vez no equivalente “no” Senhor (6.1). Das 23 aparições de "como” e seu equivalente, 13 estão relacionadas à autoridade de Deus e de Cristo. As demais se dividem em declarações, comparações negativas e positivas entre o como eram, como são, como não podem ser e como devem ser os crentes, para que a Unidade pretendida seja alcançada. Portanto, como é a chave que abre a porta à compreensão do nosso texto e se constitui o elemento aferidor das relações sociais dos cristãos.

  • Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos. Efésios 4:6;
  • O que diz este versículo? Que em Deus todos somos iguais e devemos nos considerar irmãos em Cristo;
  • A falta de união entre os membros do corpo de Cristo fere um princípio básico que o próprio Jesus desejou quando disse: "Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste.” João 17:20-23
  • Como lemos acima, a unidade é desejo de Cristo, a unidade testemunha da nossa união com Deus, a unidade é ordenança divina.


1.3. O CONTEXTO
Para estudar o contexto, isolaremos os dezesseis versículos que tratam diretamente da Doutrina da Família Cristã. Eles serão nosso texto principal para esta lição. Vão de 5.22 a 6.1-4. O contexto remoto se apresente no capitulo 4, onde encontramos ensinamentos gerais sobre o procedimento dos crentes e em outras referencias bíblicas relacionadas, onde o objetivo principal a ser alcançado através de modo de proceder proposto por Paulo é "que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida de estatura completa de Cristo" (4.13) O contexto imediato vai de 5.1 ate o versículo 22, onde vemos que o principal motivo para que a família cristã se comporte da maneira descrita no texto é que todos os seus membros são filhos amados de Deus (5.1), logo são semelhantes a Deus e a Cristo e, por isso é que devem sujeitar-se uns aos outros em amor, como ao Senhor (5.21).

  • Estes textos referem-se a forma correta de como os membros de uma família devem agir. A sujeição um aos outros é dever de todos, mas estes temas serão abordados adiante.
  • Sugiro a leitura de I Co 13 sobre o amor, pois esta união que devemos ter deve ser feita em amor.


2. AUTORIDADE E SUBMISSÃO NO SISTEMA CELESTIAL
Embora as comparações das coisas celestiais com as terrenas sejam terrenas, elas servem para nos ajudar a entender as doutrinas bíblicas. Portanto, pense no céu como o sistema governado pelo Deus Trino. O Pai, o Filho e o Espírito Santo em perfeita sintonia submetem-se voluntariamente e cooperam para que todas as partes que compõem o sistema celestial funcionem perfeitamente e cumpram a sua missão. Pense na Igreja como uma grande organização, um subsistema, pertencente ao sistema celestial, da qual Cristo é a cabeça. Pense na família cristã como a unidade representativa básica da organização (Igreja). Embora possuam esferas de atuação diferentes, os subsistemas e as unidades representativas possuem valor igual para o sistema e têm a mesma missão. Os sucessos e fracassos de qualquer dos dois refletem um no outro e no cumprimento da missão.

2.1. COMO  SÃO  DEFINIDAS AS AUTORIDADES NO SISTEMA CELESTIAL?
Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo formam um único ser divino. Entretanto, diz a Escritura: Deus é a cabeça de Cristo (ICo 11.3). Este é o enviado de Deus (Lc 4.43; Jo 3.17 ) e o Espírito Santo é o enviado de Cristo (Jo 15.26 ). Mas, o próprio Jesus diz que o Espírito Santo o ungiu e enviou (Lc 4,18 ). Assim, vemos Cristo ora enviando, ora sendo enviado. Ora liderando, ora sendo liderado. Logo, entendemos que o critério aplicado é o da igualdade.

  • O sistema da igualdade deve ser aplicado no lar pois todos têm direitos iguais dentro da família;
  • Os filhos devem ser tratados de forma igualitária no que tange a regalias, direitos e deveres. Sabemos que os filhos não são iguais e que a forma de educar cada um é muito particular, porém em termos de direitos e deveres no lar, o tratamento deve ser igualitário para que não existe ciúmes entre eles;
  • Outo ponto importante onde é aplicado o sistema de igualdade é na autoridade dos pais, os dois devem ter autoridade reconhecida no lar e sobre os filhos. O cônjuge não pode jogar a responsabilidade para o outro com frases do tipo, “seu pai é quem sabe”, “Se sua mãe deixar pode ir”... Da mesma forma que um não pode tirar a autoridade do outro permitindo que o filho faça algo que tenha sido proibido pelo outro cônjuge.


2.2. COMO A AUTORIDADE É EXERCIDA NO SISTEMA CELESTIAL?
Não é como nos sistemas autoritários terrenos, em que os governantes e detentores de cargos os exercem como um direito. Exigem o serviço dos governados e agem como se toda a comunidade existisse para promover o bem deles. Olham para o povo de cima para baixo, como se este fosse composto de seres inferiores e incapazes. No sistema celestial, entretanto, o exercício da autoridade é visto como um dever. Os detentores de autoridade são considerados servos (Lc 22.26 ). A autoridade é exercida como um serviço de amor (Jo 3.16 ). Exige renúncia, humildade e obediência. Jesus, sendo Deus e Senhor do sistema, cabeça (poder, autoridade e liderança) da Igreja e autoridade suprema do Universo, veio a este mundo para servir e não para ser servido, para dar e não para receber (Mt 20.28; Mc 10.45; F12.5-8).

  • A autoridade no céu não é forçada, antes é reconhecida e respeitada por amor a Deus;
  • Nos lares não deve ser diferente, os filhos devem reconhecer a autoridade dos pais e honrá-los por amor, não por violência. Filho que obedece aos pais por medo, nunca irá contar algo de errado que fez, ou mesmo uma situação difícil que esteja passando, antes esconde pois tem medo da reação do pai;
  • Filho que teme e respeita seus pais, têm neles verdadeiros amigos que sabem que podem confiar, mesmo que venha uma punição pelo ato errado cometido.


2.3. COMO SE DÁ A SUBMISSÃO NO SISTEMA CELESTIAL
Ela ocorre num ambiente de igualdade. Deus não escolhe quem deve se submeter baseado no critério de superioridade x inferioridade. Ele os escolhe em uma correspondência perfeita entre as partes de um todo. Assim, o sistema inteiro obedece a uma hierarquia predeterminada por Deus, de modo que tudo e todos obedeçam e sejam obedecidos. Todos os filhos de Deus têm valor igual para Ele. A todos, em algum momento, é dada a oportunidade de liderarem e serem liderados. Por exemplo, o filho que hoje é submisso aos pais e por eles é servido, amanhã servirá aos próprios filhos e estes lhe serão submissos. Todos, liderados e líderes, são importantes e indispensáveis à boa ordem e funcionamento do sistema celestial. Nos sistemas e subsistemas terrenos, mesmo naqueles instituídos por Deus, como a família, liderados se sentem inferiores e injustiçados porque os relacionamentos foram contaminados pelo pecado, as funções são mal definidas e os papéis de cada um têm sido mal interpretados. Porém, quanto maior for o grau de conversão das pessoas a Cristo, tanto maior será a liberdade e a honra que perceberão haver na submissão cristã.

  • Verdadeiro líder é aquele que pouco a pouco delega funções para os liderados para que um dia eles se tornem líderes também;
  • Os pais líderes são provedores de tudo aquilo que os filhos necessitam, mas na medida que estes crescem, permitem gradualmente que eles tomem pequenas decisões, passando por decisões médias e complexas, para que eles um dia tomem as rédeas de suas vidas, e liderem suas novas famílias.


3. APLICANDO OS PRINCÍPIOS CELESTIAIS À FAMÍLIA
Em meio à onda de feminismo que varre as sociedades atuais, a doutrina bíblica da autoridade e submissão parece ser, no entender de muitos, polêmica e ultrapassada. Porém, para os filhos de Deus, ela continua atual. Sua prática, subordinada ao elemento aferidor das relações familiares com o padrão utilizado no sistema celestial, é o único meio de salvaguardar a família e conduzi-la com êxito no cumprimento de sua missão. Segundo Paulo, o elemento aferidor é a palavra “como”, o padrão de autoridade é Cristo e o de submissão é a Igreja.

  • Não sou contra os direitos conquistados pelas mulheres, pelo contrário, considero importante as conquistas no meio trabalhista, no direito ao voto, e principalmente no direito de exercer seu trabalho ministerial;
  • O que o comentador quer dizer é que, para que um lar viva em harmonia, é necessário que a mulher reconhece o marido como o cabeça do lar, isto não significa humilhação ou perda de prestígio, antes significa proteção ao vaso mais fraco que no caso é a mulher.


3.1. COMO O MARIDO DEVE EXERCER SUA AUTORIDADE
Como já vimos no tópico 2, a família cristã não é uma unidade social isolada e independente, pelo contrário, faz parte de um sistema do qual Jesus é a cabeça. Como tal, para que cumpra bem o seu papel, o marido deve seguir o molde que lhe foi proposto por seu líder maior: Jesus. Ora, como é que Cristo exerce Sua autoridade sobre a Igreja? Não a impõe pela força, mas é conquistada pelo amor. Amor que se dá, que entrega a própria vida pelo bem de sua amada (Ef 5.25). A autoridade de Cristo sobre a Igreja é o coroamento da encarnação (Mt 28.18).

  • Muitos dão ênfase a passagem que diz que as mulheres devem ser submissas ao seus esposos, mas esquecem da outra parte que diz que os maridos devem amar a sua esposa como Cristo amor a igreja ao ponto de dar sua vida por ela.
  • Quem demonstra este amor conquista o respeito da esposa (submissão), não é por força e muito menos por atitudes autoritárias, antes pela demonstração de afeta que é traduzida em elogios, reconhecimento e valorização da pessoa amada.


3.2. DE QUE MODO A ESPOSA DEVE SUBMETER-SE AO MARIDO
Em primeiro lugar, precisamos considerar que a submissão da esposa ao marido não significa servidão nem inferioridade, mas uma incumbência, um direito que precisa ser exercido para o bom funcionamento da família como célula básica do Reino de Deus. A esposa cristã não deve agir como empregada do marido, mas como sua companheira, que faz tudo em acordo com ele e procura agradá-lo, como a Igreja age para com o Senhor. Ela sabe que a unidade da Igreja depende de famílias edificá-las e cimentadas no amor de Cristo e na comunhão do Espírito Santo.

  • Deus quando criou a mulher fez uma companheira para o homem e não uma escrava, a Bíblia diz: Todavia não se encontrou para o homem alguém que o auxiliasse e lhe correspondesse. Gênesis 2:20.
  • A mulher auxilia o homem em buscar a felicidade, em cumprir a determinação de Deus de criar e cuidar da família.
  • A mulher amada têm prazer em submeter-se em amor ao marido pois assim trará felicidade ao lar.


3.3. COMO OS FILHOS DEVEM SE COMPORTAR NESTA CADEIA HIERÁRQUICA
Praticando o mesmo princípio e padrão que os casais devem observar. Enquanto o marido deve cumprir seu papel em casa como Cristo o faz para com a Igreja, a esposa deve cumprir o seu papel no casamento como a Igreja o faz para com Cristo, os filhos devem honrar, obedecer e considerar os pais como ao próprio Deus, aprender com eles como quem aprende com o próprio Deus e receber deles amor, sustento, educação, disciplina como quem recebe do próprio Deus. Eles precisam: servir e submeter-se uns aos outras em amor (Ef 5,21; G1 5); considerar, amar e cuidar uns dos outros (Jo 13.34; Rm 12.10).

  • Os filhos serão espelhos dos pais e agirão conforme sua criação.
  • O pai que não ama a esposa como Cristo amou a igreja, serve de péssimo exemplo aos filhos e estes correm o risco de reproduzirem no futuro as atitudes dos pais;
  • A mãe que não submete-se ao marido, ensina indisciplina e insubordinação aos filhos e estes agirão assim no futuro.

CONCLUSÃO
Portanto, a autoridade e a submissão no corpo social, chamado  Família  Cristã, serão  aplicadas  de  modo correto  e  eficaz  quando foram regidas pelo mesmo princípio que rege a igreja: a autoridade pertence a Deus e Ele “colocou os membros no corpo, cada um deles como quis” (1Co 12.15). É fundamental entendermos que Deus mesmo deu os maridos para liderar o lar; as esposas para cooperarem e em concordância com o marido e esposa possam juntos exercitar a liderança e o aperfeiçoamento da família ao padrão que nos foi dado.